quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Universo nas pedras 1

Coloquei no facebook as pedras que também vou colocar aqui, porque gosto muito desta fase de pesquisa intitulado - "Paleta Cósmica".
Tenho andado nos meus passeios habituais a pé com os olhos no chão. De repente o Mundo ganhou uma nova dimensão, tão grande que se está a tornar em mais uma das minhas obsessões (comparável às plantas) e o resultado é tão espectacular como o delas.
O fascínio colorido das pedras não é visível facilmente. Embora lá esteja, ninguém se dá ao trabalho de o analisar. Contudo, com uma máquina fotográfica e um zoom médio, é possível ver o invisível. É ai que reside o encantamento e a diversão.
Hoje em dia toda a gente passeia de carro e acha que é muito esperta em proceder dessa forma. Esse tipo de pensamento e forma de estar na vida dá-me vontade de rir. Na verdade as pessoas passeiam os carros e não as suas próprias carcaças. Ficam assim desprovidas do melhor: tudo o que as rodeia, e não vou entrar em pormenores; imaginem-nos.
Não sei até onde irá durar esta pedrada (embora não falte matéria prima neste mundo e no Universo) e vou continuar a olhar para o chão. Curiosamente até já dinheiro achei com esta brincadeira.
Vejamos as pedras (aqui no blogue vêem-se melhor).

quinta-feira, 25 de março de 2010

Arte no lixo

Um dia destes a minha mulher foi deitar o lixo lá fora e apareceu pouco depois com o modelo de um veleiro todo desconxabado. Perguntou-me se estava interessado nele e ri-me. Tinha os mastros partidos pendurados por restos de cordas, as velas rotas e rasgadas, e a pintura, e o aspecto em geral, era miserável. Estive quase para lhe dizer para o devolver à procedência, mas como sei que por vezes tenho tempos mortos no meu trabalho, disse-lhe para o arrumar a um canto, que logo se veria.
Esqueci completamente o trambolho, até que chegou um dia em que não tinha nada que fazer e ela lembrou-me que o veleiro estava no estaleiro à espera da minha atenção. Peguei nele sem grande convicção, mas como sempre lá engatei na reparação e ganhei-lhe gosto.
Quando ganho gosto a qualquer coisa nada me faz parar, e assim foi com o barco. Demorei algumas semanas de tempo livre e fiz calos em dois dedos a repará-lo, mas valeu a pena. No fim até eu fiquei impressionado com a minha habilidade como mestre artesão.
Pouco depois uma cliente da sapataria reparou no nosso gosto por arte e disse que tinha em casa umas peças que ia deitar ao lixo. Perguntou à minha mulher se estava interessada nelas, e ela, sem saber do que se tratava, disse que sim. Dias depois aparece com quatro peças de madeira Angolanas e disse que ainda tinha mais. Estavam com um aspecto deplorável, mas via-se que eram interessantes (para "pula"): um almofariz, uma Nossa Senhora, um cinzeiro bicéfalo e uma percussão de cana meia podre.
Ao contrário do veleiro (a não ser a percussão) estavam razoáveis, e não parecia difícil pô-las novas.
Quando tive uma oportunidade mandei-me para a frente, e depois de horas de lixadelas e três mãos de verniz, ficaram melhor que novas.
A semana passada apareceu cá em casa a tia da minha mulher, e trouxe uma girafa castiça toda partida que a filha médica tinha trazido de África durante uma comissão. Perguntou se seria possível eu dar-lhe um jeito e assim fiz. Reparei-a, e como bónus fiz-lhe uma base de borracha gravada com estrelas e outros designes oportunistas, para não cair para o lado com um sopro. A borracha foi generosamente oferecida pela tia, portanto não é nada de mais oferecer-lhe um brinde bem merecido.
Agora vamos ver as peças, antes que a tempestade que ronca no horizonte nos atinja.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Primavera de 2010

Começou a primavera, e como já começa a ser vulgar hoje em dia, começou de forma particular.
A meio da tarde surgiu de repente um arco-íris no céu, mas um arco-íris como nunca vi: duplo, e largo como uma ponte, e o arco em si formou como que um portal no céu. No lado de baixo claro, e no de cima mais escuro.
Como o Inverno foi mais rigoroso que nos últimos anos a maioria das plantas não resistiu ao impacto das sucessivas tempestades e granizo grosso, e como consequência a natureza em geral está ainda bastante fragilizada. Só os citrinos beneficiaram com a chuva exagerada.
Desponta o Sol e a vida espreita, nas suas múltiplas facetas. Estou esperançado que o tempo que está para vir vá ser mais generoso que possamos pensar. Espero, mas já não tenho a certeza de nada. As mudanças a nível geral são uma realidade inquestionável, e o futuro incerto.
Tenho passeado o mais possível neste clima ainda instável e a desolação está patente em todo o lado. Houve (este Inverno) uma grande destruição na natureza, com a queda de árvores e deslizamentos de terra, e a solução é a habitual. Limpar os destroços e aproveitar para limpar ainda mais o terreno, factor que a curto prazo vai contribuir para uma maior instabilidade do solo e subsequente fragilidade dos recursos naturais. Porque é que não plantam logo de seguida mais árvores para recuperar o equilíbrio perdido? Será assim tão custoso. Eventualmente ligar uma moto-serra e cortar em fragmentos uma grande árvore dá mais trabalho que plantar uma série delas, e não polui tanto como a dita maquineta.
Onde está a correcta gestão dos recursos? Onde pára a típica cumplicidade do homem sábio com o meio ambiente! Onde pára o bom-senso?
A destruição global é um facto e quem vai pagar a factura são as gerações futuras.
Tenho observado a recuperação de alguma vida animal irradicada da nossa paisagem, mas será isso um sintoma de retoma da normalidade perdida, ou do desenrasque?
São demasiadas as dúvidas que prespassam pelo meu cortex e não tenho resposta para tantas variações espontâneas, cada ano que passa mais frequentes e inesperadas.
Tenho medo do futuro.
Agora, como sempre, vou tentar justificar o que digo com imagens.

domingo, 14 de março de 2010

Cerrado aliviado

Depois de tanto frio, chuva, granizo e (trombas d´água, deslizamentos de terra, derrocadas de montanha, inundações catastróficas e ventos ciclópicos) um pouco de Sol. Aproveitei e fui dar uma volta pela natureza.

Fui até à Quinta de D. António, e claro, como sempre fiquei desapontado. Já sabia que o vento forte que soprou durante tanto tempo, acompanhado pelas tempestades violentas, teriam deitado muitas árvores abaixo. Só não contava é que se aproveitassem disso para cortarem muitas mais e abrirem a terra ao Sol.
Provávelmente à milhares de anos que esta terra não via o céu como está a ver agora. E isso é abusivo. Será que alguém tem interesses imobiliários na Quinta?
Desde criança que conheço os canais da fábrica de papel espalhados pelo pinhal dentro, na área de baixo mais perto do ribeiro, e eles sempre me intrigaram. Qual seria o papel de tanto canal, cavados tão fundo e construídos integralmente em pedra? Sei que derivam todos para a fábrica, e na minha infância pude observar que era uma estrutura impressionante. Claro que agora está completamente desconjuntado e perdeu a maior parte do seu significado: contudo continua a ser um mistério. Na confusão da nova configuração que tentam dar ao ambiente perdi-me e acabei a olhar para os buracos e canais perdidos. Até tirei fotografias e a minha mulher filmou. Não será possível recuperar a planta original e curtir a obra no seu todo? Ou talvez fazer uma abordagem arqueológica? Não dá?...
Pergunto-me onde está o orgulho de ser Brandoense (se é que este povo tem disso) e o que pensam do passado, do presente e do futuro. Tenho quase a certeza que não pensam nisso! Estão-se marimbando para essas trivialidades. O que conta é o automóvel, a fachada da casa, a roupa que vestem e os joguinhos de computador, tipo farmville e outras paneleirices foleiras.
Outra coisa que me intriga é a configuração geológica a meio do vale entre a fonte do Cavalo e o ribeiro ao fundo. Desde sempre que reparei nas pedras redonas e polidas do local, misturadas com quartzos e feldspactos, mas nunca liguei. Agora interessa-me o eventual interesse e significado de tais pedras naquele sítio. Esse tipo de material só se encontra junto a rios ou à beira-mar, nunca nas margens de um pinhal. Então que estão elas aqui a fazer? Será que este local já esteve à beira-mar? Ou será que já correu um grande rio nesta área antes da ocupação humana! Vou mais na onda do mar já ter estado à nossa porta e acredito que vai voltar a estar, aquando do próximo degelo global e subsequente nova idade do gelo.
O futuro para o planeta é negro, e sem me querer armar em profeta, nefasto para a vida (como aliás já aconteceu várias vezes). No entanto ainda estamos vivos e podemos par graças por isso.
Vejamos umas imagens da quinta de D. António.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Os programadores de computador são piores que eu. Estão sempre a inventar, e a gente (se quiser) que os siga. Quem disse que estava farto de usar a  tecnologia moderna? Não fui eu, mas bem poderia ser.
As caravelas que deviam estar a navegar no artigo anterior estão neste. Cuidado com elas.

Piratas na costa

Aviso à navegação pedestre.
Depois de dois meses de tempestade hoje fui dar uma volta pela praia, e o que vi na rebentação deixou-me a pensar.
Vi uma linha de rebentação constituída por minúsculas patas de caranguejo, o mar a comer a praia, e acima de tudo (o motivo que me faz escrever este pequeno artigo)duas caravelas Portuguesas mortas, mas ainda frescas.
Sabem o que é isso? Caravelas Portuguesas? Bem. É apenas uma modesta medusa azul extremamente tóxica. Se virem alguma não lhe toquem. Mesmo morta o seu tecido mole morde como uma serpente, e as marcas que deixa na pele são definitivas - tatuagens indesejáveis. A dôr é indescritível, e se fôr uma criança a manuseálas pode morrer envenenada.
O que me deixou a pensar é que essas criaturas vivem a milhares de quilómetros da nossa costa, portanto: o que é que estas fazem aqui? São medusas de água quente, da Austrália, Califórnia... Quando surgem nas praias estas são fechadas ao público e consideradas mais perigosas que tubarões a deambular na área.
Meus amigos. O tempo está a melhorar e os passeios à beira-mar tornam-se apelativos à descontracção. No entanto se virem criaturas como estas limitem-se a olhar e sigam à vossa vida: conselho de um amigo.
Agora vejam o aspecto que têm.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

youtubado

Faz algum tempo que me meti no youtube como alquimistacibernetico, sempre, e o que tenho a dizer é que demora muitas horas a carregar qualquer coisa.
No entanto agora estou nessa: e se não fosse o mau tempo horroroso que se tem manifestado e persiste, já teria carregado mais qualquer coisinha. Cuidado; está a trovejar e o vento é ciclónico. Como tal fico por aqui (antes que a luz vá abaixo). Está uma noite de tempestade.