quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O eterno litígio com as operadoras de TV por cabo

No fim da Primavera vi um anúncio na televisão a promover um pacote apelativo às minhas necessidades de informação por cabo. A cabovisão oferecia 120 canais TV e uma dúzia de rádio, com box incluída, 10 Mg de Internet e telefone gratuíto, por 34,98 euros por mês. Como era isso que pagava na TVcabo-Zon por 26 canais TV, 2 Mg de Internet e telefone gratuíto só de noite, claro que não hesitei em mandar-me para a frente, e curiosamente o vendedor de serviços da Cabovisão apareceu logo em minha casa (como que comandado telepáticamente pelo meu desejo). No entanto, antes de tudo isto, liguei para a empresa e confirmei a promoção: era verdade. 120 canais-10Mg Net e Telefone grátis.
Como ainda estava vinculado à Zon durante mais um mês, o vendedor disse que a empresa que representava (a visãocabo) tinha uma alternativa que possibilitava ao novo cliente aceder aos seus serviços antecipadamente, comprometendo-se congelar o pagamento até acabar o contrato com a Zon.
Ao ouvir isso disse ao vendedor que podia mandar vir instalar o sistema no dia seguinte.
Perguntei-lhe também (mais de uma vez) se o tarifário era o de 34,98 euros  por mês, porque não estava disposto a pagar nem mais um cêntimo que fosse por isso. Jurou que sim, e acreditei nele.
Vamos agora aos factos:


Apesar da má condição da escrita do vendedor, pode ver-se na facturação o número acordado e em vigor nessa promoção de Maio de 2010. Agora vamos ver a facturação subsequente:

Como se pode ver neste arranjo de facturas, no fim do mês apareceu logo uma da Cabovisão com a quantia de 2,39 euros para pagar (quando o vendedor disse que não pagava nada), enquanto a Zon, aproveitando a rescisão do contrato, me espetou com mais cinco euros extra para a despedida. 
No mês seguinte paguei 36,08 euros e comecei a resmungar: mal sabia que os resmungos iam passar a raiva. No seguinte (Agosto) paguei 38,98 euros e comecei a questionar-me sobre o modelo de gestão (mais do que conhecido por mim por experiência) da Cabovisão.
Está a ser óbvio que se estão a marimbar para o contrato e cobram o que lhes apetece. Paguei e agora estamos em Setembro. Quando chegou a factura (com semanas de antecedência) não queria acreditar. Tenho de pagar 44,26 euros.
Concluindo e resumindo: aquilo que eu devia pagar todos os meses sem alteração - 34,98 euros, nem na primeira factura foi respeitado, e cada mês que passa pago mais e mais, sem a mínima justificação. Agora chegou a altura de perder as boas maneiras e falar Português a sério.
Estou farto de ladrões e xulos engravatados e bem falantes, senhores de monopólios imperiais todos poderosos, que pensam que fazem das pessoas o que lhes apetece. Se calhar pensam que o que escrevem na factura é um acto religioso e intocável. Como é que diz a cantiga? "Ladrão que rouba a ladrão, tem cem anos de perdão". E sabendo que fazem sofrer milhares de pessoas, com formas de extorsão bem disfarçada por artigos de contrato com letra tão miudinha que quase nem de lupa se conseguem ler (e que a maior parte das vezes não se sabem defender e se submetem às suas exigências desonestas - sobretudo os velhos, que embarcam facilmente no seu engôdo) adoraria que os responsáveis por tais manobras mafiosas fossem enrabados por gorilas da montanha de dorso prateado, para verem o que é bom. E digo mais; vão todos para a puta que os pariu (se esta os quisesse aceitar de novo - o que duvido).
É óbvio que não queria chegar a este ponto. Mas se soubessem pelo que já passei, e o tempo que perdi com estes malaicos, percebiam logo.
Para finalizar, acuso esta empresa de publicidade enganosa, burla qualificada, fraude negocial e extorsão compulsiva. E estou disposto a ir até às últimas consequências para obrigar a Cabovisão a respeitar o contrato celebrado comigo. Está na altura de lutar pelos meus direitos mais do que evidentes, e denunciar a corja asquerosa de especuladores habilidosos cheios de truques na manga e resposta para tudo na ponta da língua. E para terminar - vão gozar com o caralho.
Sou uma cria de Viriato - correcto e bruto à medida das necessidades. 





segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Os meteoritos do mar

Sendo o mar três vezes maior que a Terra, é compreensível que a maior parte dos acontecimentos relevantes ai aconteçam (e não esteja ninguém a ver).
Todos os dias caem milhares de meteoritos na Terra e a maior parte cai no mar, passando assim a pertencer ao espólio mineral de Neptuno. Ocasionalmente alguns são empurrados pelas correntes e marés vivas para a praia, e é aqui que quero mostrar uma amostra. Não fui eu quem o descobriu, nem está absolutamente garantido ser um, mas parece: e tem todas as características de o ser. Talvez algum especialista na matéria me possa esclarecer (na desportiva).
Aí vai o sampler.


Estranho, não é?
As pequenas crateras parecem obsidiana, sintoma que sugere altas temperaturas na passagem pela atmosfera. E as manchas castanhas são ferrugem de ferro, comprovado pelo descobridor do achado com a proximidade de um magneto. A amostra tem ferro. Mais um bocado para alimentar a fornalha atómica do nosso núcleo planetário.


Já posso morrer realizado. Toquei um objecto extra-terrestre.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Verão de fogo renovado

O ano de 2005 foi o mais quente da minha vida de cinquenta e dois anos. Nem no Congo senti tanto calor. Contudo o fumo não chegou ao mar, pelo menos nesta área onde moro (Espinho) embora da praia se vissem colunas espessas elevarem-se nos ares .
Detectei algumas imagens desse ano que passo a mostrar:







Como se pode confirmar nos meus vídeos postados no youtube, a camada de cinza que caiu foi impressionante, com características quase vulcânicas.

Este ano o fumo chegou ao mar, e numa tarde de segunda-feira tive de sair da praia porque ele cobriu o céu e tapou o Sol. Também nunca senti o ar tão poluído como este ano. Durante perto de três semanas respirou-se muito mal, enquanto caia cinza fina. O ar estava cheio de dióxido de carbono e cheirava a fumo por todo o lado, incluindo na costa. Horrível. Ainda por cima não podia fugir daqui por causa dos animais domésticos.
O que mais me impressiona neste tipo de calamidade é o aspecto do Sol e da Lua. Parecem maléficos (embora não tenham culpa - estão muito fora do alcance das actividades Terrestres) e eis alguns exemplos:


Como se pode ver aqui, o Sol tem um aspecto puramente sinistro. Parece visto na superfície de Marte, e o céu está da côr da cinza.


Nesta imagem em particular não é necessário nenhum tipo de filtro especial para se poder ver o Sol em todo o seu esplendor refulgente. O céu enfumarado faz esse papel. E a Lua?


Esta Lua cheia aterradora mete medo, e parece incrível como se consegue ver tão bem através de uma espessa cortina de fumo. Isso prova o quão insignificantes são as acções calamitosas da natureza em relação à grandiosidade dos astros visinhos do nosso planeta.
Que estas imagens sirvam de lição aos piromaniacos. A Terra é sagrada, e a natureza em todos os seus aspectos é o nosso refúgio neste mundo, o único lugar que temos para viver e ser felizes.

O fogo é a derradeira limpeza: limpa e definitiva para quem por ele passa. O passaporte para o Infinito. A última viagem na mitologia Inca e Egípcia para a vida eterna - o Sol.
O Sol também é o meu único Deus.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A terra dos caretas

Vivo numa terra onde se passou a fazer o carnaval de hà uns anos a esta parte, e sempre me questionei porquê. Porque é que ninguém teve a mesma ideia nas aldeias e vilas das redondezas? A resposta é simples: a minha terra está cheia de caretas (não generalizando, claro - não quero insultar os inocentes).
Dessa forma práticamente não precisam de máscara para fazer a festa.
Definir careta: um careta é um indivíduo da classe média ou alta, geralmente com uma escolaridade média ou suficiente, filho dos papás, sempre com as costas quentes e o prato cheio na mesa (quer o mereça ou não). É convencido e arrogante, interesseiro e estúpido, e quando faz asneiras o pai fala com a vitíma e paga o prejuízo, obrigando-a a calar o bico (a menos que queira ter problemas inesperados no futuro). Isto é quando o careta é ainda jovem e está sobre a alçada dos pais.
Quando o careta passa à idade adulta os pais arranjam-lhe um tacho na administração pública e candidata-se no partido político mais promissor (neste caso o PSD), ou na Academia de Música, no Museu da terra, na junta de freguesia, nas escolas públicas ou faculdades, no correio ou no teatro, no futebol, na organização do carnaval ou das festas anuais, e a vida é bela.
A arrogância e prepotência crescem com o estatuto do cargo e a careta também. Já só conhecem quem lhes apetece (os da cor deles) e quando raramente nos cruzamos na rua fazem de conta que não vêm ninguém. Pode parecer ridículo, mas é a pura verdade.
Tudo o que comentei até aqui vi com os meus próprios olhos acontecer.
Com a idade o careta incha como um sapo e pensa que é dono da freguesia. Está pronto a dar ordens ao povo e quer ser respeitado como um senhor. Apesar de ser um parolo que nada faz pelos outros, acha-se com direito a ser respeitado por mérito próprio: o mérito da sua posição social. Isso vale o quê? A sua posição social.
Hoje em dia só os vejo fazerem asneiras e construirem veleidades quase inúteis para a sociedade: cortaram as árvores do arraial e construiram um fontanário com repuxos para seu bel-prazer, cortaram os salgueiros pela copa na entrada da Quinta de D. António num acto absolutamente injustificado e infeliz para quem gostaria de se sentar naquele muro a olhar para as ruínas da fábrica de papel, e mais recentemente, aproveitaram as tempestades de Inverno para desbastarem as árvores da Quinta de D. António de maneira abusiva e absolutamente injustificável (para ganharem algum com a venda da madeira): e lá se foi a sombra no quente Verão.
Estou revoltado com estes políticos de meia leca, actuais e do passado recente, que só fazem merda. Prometem, prometeram passeios confortáveis e estradas direitas em toda a freguesia: no Serrado vê-se qualquer coisa, quase um ano depois. E as estradas decentes, à CEE? Quando andamos nelas parece que navegamos no mar. E a horrorosa passagem de nível de Riomaior? Quando lá passamos de carro, a suspensão quase se escangalha. Será que ninguém tem consciência da ineficácia destes dirigentes políticos? Será que andam pelo ar e não vêm esses problemas que afectam toda gente? Afinal qual é o papel deles?  Mamar e dormir, como bébés rechonchudos? Ou velhos crápulas incompetentes?
Não quero saber da poliítica para nada. Quero é o bem estar da população, estupidamente massacrada ao longo de gerações, calada e assumidamente conformada.
A mim ninguém me cala, e se não trabalharem para o bem estar do povo, os políticos actuais no poder vão ter que engolir muitos sapos venenosos. O pedestral em que pensam estar essentes é de barro, e a careta que têm, juntamente com o fato e gravata de luxo que vestem, não os salvará da subserviência ácida das minhas observações.
Esta treta toda surgiu devido a um acontecimento na Academia de Música.
Um destes dias estava eu tranquilamente em casa quando recebi um e-mail a dizer que ia haver na Academia de Música um concerto para flauta e orquestra, sexta-feira às nove da noite. Como costumo passear pela freguesia depois do jantar e a hora era propícia, decidi passar por lá e ver o ambiente. Em princípio não demoraria mais de um quarto de hora porque não sou apreciador de música clássica, mas quando lá cheguei e no fim de uma música vi que o maestro Vitorino de Almeida estava a assistir e a dar uma palestra extra, fui ficando e comecei a fotografar a cena. Pelos vistos fazia 70 anos nesse dia e tinha decidido (provavelmente com a colaboração do Fernando Augusto) comemorar o seu aniversário longe da confusão da capital com um concerto da sua autoria.

Francamente estava a gostar da música e tentava registar o acontecimento com mais fotografias, deslocando-me ligeiramente para o centro do anfiteatro para um melhor enquadramento, quando um indivíduo nesse ângulo se debruçou sobre mim e disse qualquer coisa: infelizmente para ele, quando falou, a orquestra atacou a fundo e não ouvi nada do que disse; abanei a cabeça afirmativamente e retirei-me para o meu canto. Passado um bocado voltei ao ataque no mesmo sítio (ao lado dele) e sai flash: mas quando olhava para as imagens que ia fazendo via que não estavam a sair nada bem e insistia. É então que o indivíduo indignado se debruça novamente sobre mim (era maior do que eu) e começa a ralhar comigo. Diz que não devia de fazer o que estava a fazer e se via alguém a fazer o mesmo. Óbviamente que ninguém tinha uma máquina como a minha, só telemóveis, e também é mais do que evidente que podia ir lá para baixo, para perto do palco, sentar-me e fazer as fotos que me apetecesse; mas como depois de jantar não gosto de estar sentado não fui. E se fosse, e começasse a flashar a seco tão perto do palco, aí sim, poderia incomodar os músico, coisa que nunca faria. Portanto, dentro da perspectiva do pataqueiro só devia tirar fotografias quando o maestro falasse e não durante o espectáculo. Já a ficar fodido com o careta convencido digo-lhe que não me pareço com ninguém e ninguém me dá ordens, quando outro, ao lado dele (que conheço desde puto e sempre desprezei) se vira para mim e diz que se não fosse conhecido ia lá para fora.
Claro que na hora me questionei que espécie de parolo era aquele com ideias tão erradas sobre óptica. A uma distância superior a vinte metros de distância o efeito do flash é equivalente a acender um isqueiro, não incomoda ninguém, e a prova estava na qualidade das imagens - desfocadas ou tremidas pelo movimento dos músicos, ao tocarem vigorosamente nos seus instrumentos.
"Só fala quem não tem razão ou por ignorância na ocasião". Ou por ser um grande caretão.
Farto de aturar semelhantes malaicos abano a cabeça para a minha mulher e saio da sala. Se a música não estivesse tão alta perguntava ao "labsolu" quem é que iria tomar essa iniciativa: o primeiro "ladislau" que me pusesse as patas em cima poderia mais tarde dizer se o material da minha máquina era feito de plástico ou metal, quando a partisse na sua real cabeça.

Quem é que estes lindinhos pensam que são?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O arquivista-mor na fortaleza do conhecimento

As dádivas do vizinho obrigaram-me a reestruturar o arquivo da minha biblioteca caseira, e inicialmente pensei que não iria ter espaço para tantos livros. Felizmente a minha estante é exageradamente larga (no passado tinha criticado a minha mãe pelo facto - agora teria de lhe agradecer) e depois de ter feito uma limpeza geral a todos, comecei a agrupá-los por calibre. Desta forma:

Já que estava com a mão na massa e gosto de caprichar, comecei a construir uma autêntica muralha de livros. Não contava era com tantos, e tão variados formatos, alguns estranhos à estética dos tempos actuais. Também nunca tinha visto uma tal variedade de qualidades de papel, alguns muito bons (estou a falar de papel com cem anos ou mais).
Durante dois ou três dias fui-os amontoando e criando paredes: a muralha externa com os mais grossos (enciclopédias de 1880 e mais recentes, volumosos e grandes) seguidos dos mais pequenos (médios) em segunda fila, e para o centro os mais pequenos.


Finalmente a fortaleza estava de pé, em delicado equilíbrio (a minha casa abana muito com a passagem de camiões pesados, e receava que a trepidação podesse deitar abaixo a construção - mas resistiu) e pude tirar umas fotografias elucidativas do que estou a escrever antes de os mandar para a estante.
Não sei que sorte é a minha: só sei que me surgem sempre trabalhos tão pesados e morosos (embora gratuítos) que passo meses a executá-los debaixo duma pressão irreprimível e irrecusável. Também posso garantir que não vou comprar mais nenhum livro na vida, a não ser de ficção científica da colecção Argonauta. Dos meus autores favoritos (se os encontrar - nas calmas).
Os livros são o cerne do conhecimento humano, e nem os computadores os conseguem suplantar (ainda). É mais saudável olhar para uma folha de papel do que para o visor luminoso duma máquina.
Voyons le bout du boulot:


Ler é um privilégio extraordinário desperdiçado pelo mundo Ocidental. Quando estive a viver durante um ano no Congo-Brazzaville pude ver e comparar as diferenças entre ter e não ter cultura livresca. Lá, qualquer tipo de livro ou revista era devorado até à exaustão por quem pudesse ter acesso a ele: isto antes de ser devorado pelo bolôr e pelas bactérias, ou por uma boa cagada ao ar livre.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dádivas dum vizinho 1

Fim de dois meses de trabalho intensivo e obsecado na recuperação e restauração das ofertas do vizinho.
Durante todo este processo senti-me como um pirata a pilhar a casa de um Lorde, com a sua respectiva autorização (e sugestões extra na hora - e que belas sugestões).
É inacreditável aquilo que se deita ao lixo. Como se poderá ver de seguida, uma restauração apurada opera milagres. Depois de litros de cola, dezenas de horas de colagens, digitalizações, encadernamentos com papel grosso de pinturas Espanholas e aguarelas de Abílio Guimarães, apoiadas por forro de linho como reforço, com a limpeza das pochettes na máquina de lixar, a engolir pó com quase duzentos anos, e a apanhar correntes d´ar durante tantas horas que perdi a conta, debaixo do barulho atroador de semelhante locomotiva, dá para pedir tréguas. Trabalho de mineiro, durante seis horas por dia, sete dias da semana.
Como estava a mexer nos livros lembrei-me de deitar uma vista d´olhos aos meus (convencido que estavam muito melhores do que os outros) mas quando lhes peguei fiquei surpreendido; estavam tão sujos como eles. Resultado: tive de limpar os dados, e os meus (efeito borboleta). Contudo não bastava isso (sou um indivíduo descontente com a normalidade) e decidi pintar as folhas na pochete dos mais significativos a aguarela. Também queria de alguma forma acabar com a caixa de aguarelas reforçada que parecia não ter fim (e não consegui).


Na segunda vez que o vizinho apareceu a bater à porta num domingo (como ficou mais ou menos combinado) fomos novamente a casa da mãe no Mercedes, e by God - nunca andei tão rápido na minha vida. A 180 à hora. No entanto parecia que iamos a 100 - 120 quilómetros à hora na via rápida, e ele comentava que tinha receio de ir mais depressa (na generalidade) com medo que alguém saltasse de repente para a faixa mais rápida e ele sem querer o albarroasse e atirasse, seguramente, para fora da estrada.
Desta vez fui com a minha mulher com a intenção de escolher louça e outros objectos caseiros que ele queria despachar. Estava numa de fazer uma limpeza geral e haviam muitos objectos dispensáveis.
"Nice".
A minha, além da curtição da novidade, ia também ajudar-me a carregar os artigos que iamos escolher.

Fizemos dois carregamentos, isto é: enchemos a mala do Mercedes e viemos a minha casa descarregá-la. Descarregamos os livros, as peças de forro e algodão em rolo (parece que o pai dele tinha uma loja de texteis e artigos de costura) e regressamos: carregamos mais uma vez com, por exemplo, a colecção completa do Reader´s Digest desde o 1º nº (10 anos de fascículos), caixas antigas de latão pintadas à mão para guardar as bolachinhas (coisas que a minha mulher adora) um cofre de madeira folheado a prata-latão, não sei, com marfim e pedras brilhantes, do séc:XVIII (como grande parte dos livros nesta remessa) difícil de desalojar visto estarem nas águas-furtadas, e aí a Mira foi muito útil, devido à sua baixa estatura, e ajudou imenso (como sempre). A minha Mira é uma mulher de guerra.
No arrasto veiram caixas cheias de botões sortidos, rolos de linhas de vários tipos, botijas de gaz de isqueiro, jogo de chã, copos pequeninos de beber "dinamite" - uma colecção. Tapparoués, brincos e colares semi-preciosos dos anos sessenta, "o dragão-branco", a maior concha da minha colecção, a quem chamo - todo sorrisos - um trabalho decorativo geométrico composto por pequenas conchas-dinheiro, e vamos dar uma vista de lunetas a algumas peças recuperadas.
Quando estavamos na garagem a carregar e a ver toda uma série de artefactos dispensáveis, como baldes, churrasqueira, tábua de engomar, pastas de postais do pai dele que gostaria de digitalizar (visto serem antigos) reparei numa caixa de cartão grande com a imagem de um piano Yamaha. Na brincadeira perguntei por ele e se também era para ser despachado. A mulher dele disse que estava lá em casa e era para o filho. Ponto final e regressamos com mais uma carga, chegamos a casa, abri a porta da garagem, descarregamos e eles despediram-se e foram embora.
Enquanto a Mira vai para cima preparar o jantar fiquei na garagem a tentar organizar as ofertas, quando de repente ouço chegar um carro e alguém a bater à porta: veio-me um flash à cabeça com a convicção da chegada de mais uma fezada, e quando espreito pela porta vejo o meu a acenar. Abro-a, ele tira do carro o piano e diz que o filho não o quer - portanto é meu. Fico sem palavras, e ele vai-se embora a rir debaixo dos meus agradecimentos mais profundos.
Onde é que já se viu disto? Até os comentários mais sinceros parecem estúpidos perante tal generosidade.


A big smile.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Dádivas dum vizinho

Tenho um novo vizinho, generoso e desinteressado, que me tem dado umas fêzadas, e isso é óptimo (e inesperado). Geralmente ninguém dá nada a ninguém, mas como ele não queria deitar simplesmente fora certas coisas falou comigo e aceitei ver o "mambo".
Algum tempo atrás a minha mulher tinha falado com ele e pediu-lhe se (por acaso) visse alguma máquina de costura à venda durante as suas viagens de trabalho lhe disse-se.
Na Páscoa deste ano o pai dele morreu inesperadamente durante a Quaresma e a mãe decidiu despachar tudo que estivesse ligado à sua vida passada com o defunto.
Pouco tempo depois apareceu no meu trabalho com a máquina de costura da mãe e deu-ma. Uma Oliva antiga de grande qualidade completamente nova e fiquei de boca aberta com semelhante prenda: não quiz um tostão por ela e disse que tinha imensos livros e outras coisas para dar, ou deitar fora. 

Dias mais tarde apareceu novamente de repente e perguntou-me se não queria ir com ele a casa da mãe ver os livros. Disse logo que sim. Quando chegamos à magnifica casa (agora abandonada) ele levou-me à sala de leitura do pai e disse-me para escolher os livros que me interessassem. Não pareciam tantos assim, mas à medida que os ia retirando das prateleiras e analisando, vi que eram muitos: dezenas. Pareciam meios podres e chamuscados por fora, mas ao folhea-los estavam bem por dentro, portanto recuperáveis para um mestre artesão como eu, perito na restauração e recuperação de peças degradadas em extremo.
Nesse fim de tarde carregamos a carrinha até não caber mais nada com livros, peças de tecido e forro, linhas de costura, decorações e caixas de vários tipos; latão pintado e madeira, com incrustações de marfim e madre-pérola. E isto era apenas o princípio.
Depois conto mais.
Vejamos agora algumas imagens do evento.