quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O lado oculto da terra onde nasci

Somos como o salmão. Nascemos num sítio, e regressamos a ele para procriar e morrer. Contudo isso não quer dizer que o conheçamos - o sítio. O que vou mostrar a seguir é um exemplo do que estou a dizer. A não serem as ruínas da fábrica de papel, estas podiam ser imagens de não importa onde. É essa a magia da imagem: e o ex-libris do cinema - "nem tudo o que reluz é ouro". Tudo é significativo, e em segunda instância - mágico. Só temos de abrir os olhos e olhar à volta. Temos de deixar de ser péssimista e começarmos a ver a nossa terra, o mar e o céu, como dádivas (não de nenhum Deus) - de Patchamama. A mãe-terra, patrona e matrona do Ser-Humano. E deviamos saber aproveitá-las, fazendo todos os esforços para as devolver à sua pureza original (o que acho quase impossível) e assim regressar às origens: nadar nos Pepinos, no Sude, e no tanque da quinta de D.António, Passear pelos campos enormes do vale, repleto de salgueiros adultos, debaixo de um céu azul e temperatura de meter inveja no Verão. Quando era criança Paços era um pequeno paraíso vegetal. O verde era predominante. Enormes campos de erva espalhavam-se por todo o lado, intercalados por pinhais, ribeiras, e algumas casas, dessiminadas na floresta de árvores de fruto particulares. Havia gado (vacas, cavalos e burros), porcos, ovelhas e cabras, e toda a espécie de bicharada. Haviam tantas aves que as caçavamos para comer. Nessa época o Serrado era território tabu. Ninguém para lá ia. Era uma selva. No fundo da freguesia, na fronteira com Gondezende, corria um pequeno ribeiro. A área de acesso era quase impossível devido ao terreno ser pantanoso, (e imagino como deverá ter sido antes das primeiras fábricas de papel começarem a laburar nele). Terra intocada à centenas de anos. Encharcadamente verdejante. A única passagem para o outro lado do ribeiro era através de um tronco caído, meio podre e corcomido, extremamente húmido e escorregadio, devido estar o tempo todo à sombra dos pinheiros e arbustos. Tentar passar a ponte, com o ribeiro a fermentar os sedimentos em vapores e gases em putrefacção debaixo dos nossos pés dá que pensar: e do outro lado está escuro. Parece uma estufa na sombra. O Pião, como é óbvio, é o mestre da vagabundagem natural. E é ele quem nos guia e leva até estes sítios, que as nossas mães dizem para evitarmos. O Éden é do outro lado da ponte. Quem tiver coragem (e sorte) para a atravessar, verá coisas que nunca viu na vida - garante ele. Atravessei, e cheguei a um lugar (que comparando hoje em dia em termos geográficos) poderia ser na Nova Guiné, na Micronésia Francesa (no Tahiti ou Bora-Bora), ou na Nova Caledónia. Único. Entrei aqui duas ou très vezes através do tronco caído, e todas elas foram alucinantes. Estou do outro lado do ribeiro, numa faixa de terreno raso roubado à encosta de terra em frente, formando o vale. Olho para o chão e vejo-o juncado de inúmeros rastos brancos em todas as direcções: não sei o que são, e têm mau aspecto. Parece ranho. Quando os olhos se habituam à penumbra descubro os responsáveis: enormes lesmas negras como carvão deslizam pelo tapete de heras verde-azuladas, aparentemente sem destino, acompanhadas aqui e ali por grandes sapos de aspecto repulsivo com o corpo coberto de pústulas de veneno, tóxico ao toque. O ar tem um cheiro adoçicado a decomposição por metano, e lá mais ao fundo, vê-se no ar uma cortina de gaz latente em suspensão, um nevoeiro fantasmagórico de origem duvidosa. É tudo estranho aos nossos olhos de criança com 10 anos, mas não o suficiente para nos fazer recuar, e avançamos para o meio do vale com pouco mais de dez metros de largura. Estamos num túnel vegetal verde-azulado totalmente dominado por uma hera em forma de coração com três pontas bico de lança. É omnipresente e nada lhe resiste. Nem o chão, nem as austrálias, nada. Trepou por cima de tudo e acabou por fechar o vale, selando o tecido arvorícula num casulo impressionante em forma de tubo. Nem a luz consegue penetrar semelhante concentração e o ambiente permanece na penumbra. Quando os olhos se habituam à obscuridade começamos a explorar, olhando contínuamente para o chão com medo de pisar as horrorrosas lesmas e sapos, e começamos inadvertidamente a confrontarmo-nos com outro tipo de incómodo: enormes teias de aranha, invisíveis na sombra. Algumas têm mais de uma metro de diâmetro, e só quando esbarramos inadvertidamente contra elas é que sentimos o visgo desagradável. Quando vemos a proprietária até saltamos de medo. São aranhas enormes e correm na direcção da nossa cara. Recuamos aterrorizados e fugimos, a limpar a cabeça dos fios e da cola. É como resina de pinheiro, e não quer sair. Acabamos por ficar com as mãos grudentas e não podemos tocar em nada, ou então ficamos com elas coladas. Uma chatice. Agora os olhos já se habituaram ao ambiente e começamos a ver plantas que nunca vimos por aqui. Estamos rodeados de fetos gigantes do tamanho de guarda-sóis de praia com folhas rendadas lindíssimas: e à volta, um pouco por todo o lado, outros tipos de fetos mais pequenos, igualmente lindos e desconhecidos. De vez em quando aparece um ou outro cogumelo gigante de aparência estranha e ficamos curiosos a olhar. Nunca vimos nada igual. Entretanto para esse lado o terreno começa a ficar alagadiço e paramos. Damos uma vista de olhos para a saída do túnel e vemos o rego de água do ribeiro através da vegetação luxurianten do pântano, a perder de vista por entre os salgueiros, freixos, teixos, choupos, e toda a espécie de arbustos lacustres. Uma paleta sortida de tons de verde. Recuamos, sempre a olhar para o chão e para as teias de aranha (começamos a aclimatar-nos ao ambiente) e caminhamos para o outro lado sobre os fetos e as omnipresentes heras em 99% da área. Passamos pelo tronco no ribeiro e somos obrigados a encostar-nos quase junto à falésia de terra devido à zona pantanosa começar a alastrar para os lados. Aqui já não se vê o ribeiro. Este entrou numa espécie de caldeirão e desapareceu debaixo dum espesso aluvião de pasta de papel mal digerido pelas fábricas, juntamente com o dejecto vegetal de folhas e ramos caídos para a água. Vejo arbustos avantajados, mesmo numa nesga de terra no meio da água em putrefacção. Aqui o cheiro do ar é tépido e bafiento, e da água parada eleva-se uma neblina maligna. De vez em quando cheira a podre e a água borbulha. Afastamo-nos o mais possível da margem e olhamos para a falésia de terra encostada às nossas costas. É enorme. Deve ter mais de vinte metros de altura, e está repleta na borda por austrálias dependuradas para baixo com heras suspensas como lianas a ligarem-se ao chão. As austrálias estão tão interlaçadas entre elas e com as heras, que a ósmose vegetal é única. Ainda por cima as austrálias são extremamente desenraizáveis: têm uma raiz tão pequena para o diâmetro da árvore, que mais parece que Deus brincou com a sua concepção. No entanto, para compensar, fê-la extremamente prolífera. Nem morta a conseguem eliminar: rebenta em qualquer tipo de má circunstância com um vigor e luxuriância extraordinários. Só nas florestas húmidas do Equador se pode ver o tal. E aqui estão caídas por todo o lado. Queremos avançar, mas hesitamos. O caminho está bloqueado junto à falésia por inúmeras austrálias caídas, e mesmo ao lado o pântano fede e gorgulha sinistramente. Vemos no entanto a luz ao fundo e ouvimos um ribombar de cascata. Isso faz-nos ser audazes e atravessar as austrálias. Somos ágeis como jovens macacos e isso para nós não é nada. O terreno afunila cada vez mais entre a falésia e o ribeiro recém-aparecido enquanto o ribombar estranho aumenta. Seguimos o barulho, por entre arbustos e novos fetos desconhecidos numa zona acidentada, toda torta, encarquilhada e a descer no meio da vegetação, até pôrmos os pés em cima de uma placa de pedra e argamassa: a cascata misteriosa. A paisagem muda drásticamente. Agora olho para um vale profundo e pedregoso, negro (e não é de estar à sombra)que curva logo e desaparece à esquerda. O pinhal do Serrado é cerrado e está massivamente por todo o lado (facto fora de questão). Olho também para os meus pés e vejo a água cair pela abertura, do que eventualmente parece ser a estrutura de uma represa. Ponho-me a pensar e concluo que o pântano foi formado pelo assuriamento desta represa - só pode ser. Já estou farto disto e quero luz. E ela está lá em cima. Só tenho de subir o muro de terra e atingir o topo do pinhal. Enquanto trepo não estou preparado para o que vou ver a seguir. A terra é escorregadia e sujo-me todo; também tenho de me agarrar várias vezes a raízes salientes para conseguir trepar, mas quando chego às árvores fico de boca aberta. Por entre alguns pinheiros vejo campos luminosos a perder de vista até ao pinhal do outro lado. O ribeiro serpenteia por entre um mar de luz verde clara com um bosque de salgueiros velhos a sombrearem campos de erva fresca. Esfrego os olhos, espero pelo Pião (que fica também de boca aberta quando chega ao meu lado) e descemos a encosta pelo lado direito. Com cuidado chegamos a um canal construído a partir da cascata e seguimos por cima dele, até chegarmos ao fim do monte e decidirmos avançar pelo campo dentro até ao outro lado. Infelizmente está completamente encharcado e ficamos com os sapatos e os pés molhados, mas esquecemos logo isso quando começamos a ver morangos silvestres. O vermelho vivo das bagas é como um imãn para nós e já não vemos mais nada. Somos putos cheios de fome e qualquer serve para a mitigar - sobretudo um petisco raro como este. Chegamos perto do ribeiro, queremos passar para o outro lado e não vemos como. É largo e fundo demais para ser passado a salto, e vamos avançando ao lado dele, quando de repente vemos uma ponte de tábuas improvisada. Passamos para o terreno da Quinta de D. António e na periferia do campo começamos a ver bolinhas vermelhas por toda a parte. Estão na maioria entre a terra do pinhal e o começo do campo, em terreno seco, e é um tal que te avias. Comemos todas que vimos. Cansados e satisfeitos deitamo-nos na terra amarela seca do fim do pinhal, exactamente virada para o Sol, e ficamos calados a olhar para a paisagem. É idílica. A tarde avançada vê o Sol aproximar-se do topo das árvores e a luz é deslumbrante. A erva brilha mais do que nunca, as folhas do salgueiros vibram suavemente na brisa, e o espaço em frente parece paradisíaco. Imperceptívelmente, ouve-se um ruído de água ao longe: depois de satisfeitos com o postal levantamo-nos e fomos investigar. Seguimos o barulho, acompanhando a borda da mata, e chegamos a uma bifurcação do ribeiro com o pinhal. É um beco sem saída. Mas olhamos para o outro lado do ribeiro, e o que vemos deixa-nos novamente entusiasmados. No fim do campo, numa curva do ribeiro, vemos um espaço atapetado com três ou quatro árvores ancestrais. O sítio é tão agradável e positivo que decidimos logo regressar aqui mais tarde e curtir o local. Agora temos de partir e regressar à civilização. O que vou mostrar a seguir nem para amostra serve desta época da minha vida.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Blogue para apreciadores de gatos

O que vou mostrar aqui é trabalho da minha mulher. É ela quem trata dos animais. Eu, pago o que fôr preciso (se fôr). O tema desta peça comparo-o à crise que desgraçou meio Mundo nos últimos dois anos e meio: uma espécie de jogada dos ricos contra os pobres, do forte contra o fraco, do oportunista contra o pobre coitado. Toda a gente conhece o jogo do gato e do rato. É um jogo de equilíbrio. "Se não tivesse adoptado gatos, hoje em dia estava no manicómio" - diria a minha mulher. "And I said": yes, ya, da, hey, chen-chen... Vale. Vale? Dúvido. A vida é uma luta, que deixamos para mais tarde: antes, temos a limpeza obrigatória para apagar todo o tipo de vestígio incriminatório das nossas acções. Receio que haja hoje em dia uma certa tendência para controlar o jogo de influências através de uma espécie de espionagem consentida (por alguém será. Não?). Através do telemóvel e do computador. Do Ipod? Enquanto brinco, vou pensando no que vou inventar a seguir para continuar este diálogo. E creio que sei. - Aprender a lutar. A lutar bem. E a ser eficaz. 100% (no mínimo). A brincadeira continua. Na brincadeira. Hà instabilidade (isso é um facto), mas hà também esperança de recuperação e aprendizagem "felinas" - o que é no mínimo pedir muito para a raça dos macacos. Como se pode ver nas imagens, a magia, a leveza de espírito e descontracção, são propícios à felicidade do Ser: seja ele humano ou animal. Acredito mesmo que o humano é muito mais feliz interagindo com o mundo animal, muito mais do que poderá imaginar nesta fase cibernética que a sociedade atravessa: computador, computador. Facebook. My space, you Tube, horever - como dizem os parolos finos. À censura na rede (?). Às vezes parece. Vamos jogar. Ao corre e dança, ao morde e ferra. Hey. Beauté. Koulèlé...


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

fim do actual ciclo solar






Estamos a chegar ao fim de mais um ciclo solar de (por média) 11 anos terrestres. Como já todos devemos ter reparado, as mudanças climatéricas e outros fenómenos análogos têm-se manisfestado de forma muito pouco convencional. E isto é apenas o princípio.
Creio que vamos passar por fases climatéricas e tectónicas mais violentas no futuro.
Receio mesmo a destruição maciça de certas áreas de risco (mais ou menos) negligênciado à face da Terra.
O desequilíbrio de forças torna-se dia a dia mais evidente. A raça humana transformou-se numa praga generalizada e nefasta a nível global. E eu faço parte dela.
Nostradamus falhou a previsão do apocalipse, mas será que ele não está nas nossas próprias mãos?
A sombra da raça humana acabará por secar a Terra?
Tenho medo do Sol, do vento, da chuva e da lama.
Tenho medo dos cometas; oscilações no eixo da Terra; irradiações cósmicas de raios-gama; alterações na rotação do campo magnético no núcleo; prematuras idades do gelo; erupções Solares; terramotos; tsunamis, e que o céu me caia em cima da cabeça - como diria Astérix.
Não estou a querer ser alarmista nem péssimista com este tipo de observações: no entanto ao longo da vida vou notando as mudanças, e o que elas estão a provocar no Mundo.
Tenho imensos comentários gravados sobre este tipo de questões que posso mostrar para acabar com a ignorância (muitas vezes consentida) das pessoas. Também os poderiam ter visto (e gravado) nos canais temáticos se quisessem e se interessassem pelo assunto.
Uma coisa é certa. Nunca vi tanto Sol nas minha vida como este ano. E os Americanos estão convencidos que ele vai espilrrar violentamente no fim do ciclo. Para o ano? Para o próximo? Mau. "Bad feeling".
O Mundo dos insectos está a adaptar-se rápidamente às alterações climatéricas, e tenho observado com frequência a aparição de novas espécies que nunca vi. Isto para não falar na recuperação efectiva de várias espécies de aves quase extintas por aqui, e que agora estão a reaparecer no nosso céu.
O Mundo é alucinante. A vida dolorosa e stressante, e o futuro... (a atenção faz o Mundo).
Será que ainda terei de construir um chapéu ultra-violeta para andar por aí?
God damn...
E um raio me carregue.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A homenagem tardia mais do que merecida

Venho neste blogue prestar homenagem ao meu amigo Jorge "Foto-artis" de Espinho: o melhor amigo que um homem pode desejar. Infelizmente já morto. Este pequeno documentário é a derradeira condolência, e há anos que estou para a fazer. As imagens são quase premonitóriaa sobre o que iria suceder a seguir, de forma inesperada. São como que a antevisão do futuro inevitável: a derradeira abordagem ao divino. Foi este o homem responsável pelo meu gosto fotográfico. Gostava de dizer mais palavras bonitas, mas como dizem os Japoneses - "nunca fales da sua morte". "Stay in peace, my friend". "And God be with you". See you soon.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Viciado em arte musical











Continuo a trabalhar nos preparativos para o meu regresso ao mundo da música.
A literatura tem ocupado grande parte dos meus esforços, mas com o declínio da visão e o meu gosto (mais do que muito por ela) é inevitável.
Tenho comprado alguns instrumentos novos e trabalhado no aperfeiçoamento das minhas percussões. Construí também algumas novas.
Infelizmente a placa de som ainda não foi instalada, porque o técnico da loja de computadores tem andado demasiado ocupado. Mas é tudo uma questão de tempo para ver se pela terceira (ou quarta) vez, ela irá finalmente funcionar. Só o diabo sabe a seca que esta placa já me deu (e continua a dar). Estou no entanto esperançado que seja desta. Também se não fôr viro o barco e parto para outro sistema de captação de som.
Fazer música é o meu incentivo. Não tenho pachorra para tocar apenas por tocar. Quero compôr e pôr em prática a minha habilidade nesse capítulo. Adoro música, e ponho-a acima de todas as outras formas de arte: tal como Krishna, quero pegar na flauta e encantar a minha existência com a sua magia.
Comprei também um tambor "djembe" e um gongo médio. O tambor está ainda frouxo e o gongo necessitava de macetas para o tocar. Construí-as eu próprio à minha maneira. Ficaram tão loucas que o Palácio da Música as quer ver.
Ó Sol, senhor do calor e da vida, aparece. Eu sei que o ano passado foste mais do que generoso comigo; mas sem ti não tenho grande vontade de tocar. Tal como os passarinhos, o frio inibe e esfria o espírito. Como não tenho (nem posso ter) uma lareira, tu és a minha salvação.
Gostaria de arranjar também alguém com quem tocar.
Já tive um guitarrista louco, tão louco que acabou por ter de ser despachado da minha vida: facto que lamento.
Era extremamente vaidoso e convencido que era bom. Andavam bué de gajas atrás dele (gajas): e logo por azar começou essa ginástica com a irmã do Cismas.
Tinha uma escola de música com sucesso (violão, guitarra).
Cozinhava muito mal, e tratou pior a mãe à nossa frente, sem motivo aparente (um dia em que estavamos a preparar qualquer take sonoro, ou ideia, na hora, no cubículo-estúdio dele); não quero dizer que não tenha tratado 30 vezes pior a minha que ele: mas enfim. Não tinha espectadores a ver.
Tivemos muitos encontros, lá e cá - Paços/Espinho, e construímos algumas bases sonoras interessantes. Tenho fotografias da gente a ensaiar na minha casa em construção, juntamente com o Tiago, um puto baterista amigo dele, filho de um músico conhecido da zona do Porto. Mais do que o Mota, ajudou-me a construir - "Droga não. Droga pão?" com as suas guitarras, e não vale a pena: o homem sabia mesmo o que eu queria. E as várias guitarras que dispunha não eram para decorar o estúdio. Era um excelente guitarrista.
Durante a gravação desta música na Numérica com a ajuda do Sérgio, este, como não gostava dele (nem confiava no namoro dele com a irmã) deu-lhe semelhante seca, que não resistiu à pressão e vazou, com o rabo entre as pernas, quase a chorar de raiva.
Agora fazia-me, novamente, imenso jeito a sua contribuição.
Já toquei no grupo da banda, mas eram tão medíocres (em todos os sentidos) que deixaram de aparecer aos ensaios quando propuz fazer música nova. E não conheço mais ninguém por aqui (pelo menos enquanto passeio pela freguesia, não ouço música em lado nenhum).
-So. Let´s go see some pictures: ya now!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Regurgitação marinha à porta






Na segunda-feira passada dei um passeio junto ao mar, junto às ondas, e observei as alterações provocadas pelas tempestade de Novembro e Dezembro (faço uma leitura do local todas as semanas no mesmo trajecto).
Primeiro comecei a ver muitos ramos do arbusto das dunas, ainda verdes (arrancados brutalmente pelas marés vivas na Costa de Prata)-(Reserva de S.Jacinto e Maceda) na praia: há muitos anos que não via tanta ramagem na praia. Como sempre (nessas circunstâncias) até toros e grandes raizes arrancadas à encosta do pinhal se viam espalhados por toda a parte (o que é o caso). No Inverno a corrente Sul arrasta esses destroços para Norte e espalha-os pelos praias acima.
Depois veio o lixo, reciclado pelo mar: e que lixo.
Grandes novelos de fio de pesca e de nylon, de toda a espécie, côr e espessura, entrelaçados em ramos do arbusto de vários calibres, formas e comprimentos, juntamente com garrafas de plástico e outros objectos do género. Uma amálgama abstracta de materiais não degradáveis - monstros quase invisíveis de fios fortíssimos e duradouros, sentenças de morte para milhares de criaturas, ao longo das suas vidas desperdiçadas de plástico no fundo o Oceano. Monstros de selicone - "como diria o Zappa".
Vê-se também com frequência na areia manchas de fronteira de côr e textura duvidosos: parecem marcas de água de ETAR. Merda mal lavada, e com as correntes fortes dos últimos meses, empurrada para as praias pelas marés.
Vi muitos exemplos o ano passado, e continuo a ver neste. Tenho muita fotografia sobre a matéria (sempre).
Outro aspecto espalhafatoso foi ver um grande fosso cavado pelo mar junto à piscina -o ponto mais fraco da Baía de Espinho. Sempre foi e continua a ser. Mas ir pela praia, e de repente ver aquele penhasco de vários metros de alturas junto à Avenida, dá para alucinar. E do lado do mar, no esporão, cavou uma cova de dez metros de profundidade. Impressionante.
E sai trelin-trac-trinnnn...?
Fiz uma imagem do hotel Costa Verde quase premonitória; se o nível do mar subir (como está previsto).
Assustador.
Janeiro 2010.
- "As pedrinhas do mar são jóias de beleza insignificante".

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Auto-retrato para o facebook











Pessoalmente assumo-me como fotógrafo (tive um bom professor) e tiro milhares de fotografias por ano: mas nunca a mim próprio.
Esta história de pôr uma foto identificativa da minha pessoa exigiu uma preparação especial. O resultado é para dar estrondo e mostrar as minhas qualidades nesse campo específico das artes visuais.
Puz pela primeira vez a mulher a trabalhar com a máquina, e sob a minha orientação ela fez um bom trabalho. Mais. Ficou êxtasiada e diz que se divertiu imenso. Um excelente exercício anti-stress (comentou) e eu acredito.
O Pedro Abrunhosa usa óculos para mistificar a sua figura pública. Eu uso chapéus construídos por mim próprio (quase todos) e ângulos da minha casa para colorirem ainda mais as imagens. Tenho uma casa muito colorida.
A minha marca pessoal são o Sol e a Lua, simbolos máximos da vida na Terra, mas a ideia não é minha. Na verdade os Chineses já os usam à milhares de anos, mas como sou apologista da mesma filosofia adoptei-os também. Espertos, os Chineses.
Não gosto muito de dar a cara, embora chame muito à atenção quando caminho aos fins-de-semana pela rua - uso roupas extravagantes e coloridas, com desenhos de couro e pinturas abstractas interlaçadas com apliques de musica rock cozidas no cabedal.
Claro que quando puxam por mim arriscam-se a levar mais do que o desejado - a minha mulher diz que sou exagerado. Para o cidadão comum devo parecer, mas para mim assumir o controlo de trabalhos longos, pesados, duros e difíceis, é um desafio natural ao qual não posso fugir. Faz parte da minha natureza selvagem.
Vou mostrar aqui e agora também que não preciso de nenhuma editora para fabricar os meus próprios livros.
Numa das imagens vou mostrar o meu livro "aproximação à Alquimia Cibernética", escrito, editado, pintado, encadernado, gravado e totalmente decorado por mim. Sou ou não sou um Mestre Artesão?
Cada qual que ajuize o que quiser.